Imagens e Congresso
Imagens
Durante estas ultimas semanas têm vindo a publico, imagens de militares norte-americanos, a infringirem maus tratos a prisioneiros de guerra iraquianos.
As imagens são chocantes e descredebilizam toda uma nação, que por principio luta contra tais situações.
É verdade que o secretário de defesa norte-americano assumiu a responsabilidade (apesar de não se ter demitido), discursou perante o Congresso, e que até o Presidente Bush se penitenciou perante o povo árabe. Também é verdade que só num país que viva em democracia é que os responsáveis políticos têm de dar explicações e que os responsáveis pelos actos em si serão punidos de forma exemplar. Verdade é que maltratar é diferente de decapitar.
No entanto não é mentira que a partir daquelas imagens os EUA ficam fragilizados, no presente e para o futuro, e que será mais difícil democratizar o Iraque.
Congresso
Decorreu este fim-de-semana o Congresso Social-Democrata.
Um congresso que foi marcado para esta data, tendo como intuito principal, a pouca discussão de ideias. Tratou-se de um mega comício para a europeias e pouco mais.
Os poucos pontos de verdadeiro interesse político foram "decapitados" pela remodelação no dia anterior e pela intervenção inicial de Durão Barroso.
Quanto á remodelação governamental, apetece-me perguntar porquê aquele ministro e não outros?
É um facto que Amilcar Theias era o elo mais fraco e merecia ser destituído, mas e o que dizer do Ministro da Economia que tem pautado a sua actuação, por uma falta de clareza ( leia-se falta de habilidade política ) gritante para com os portugueses ( veja-se o exemplo da GALP e do acordo CTT/PT), a Ministra da Justiça que pura e simplesmente deixa andar o comboio e leva "bastonada" do Bastonário da Ordem dos Advogados que a transformou na " rainha de uma câmara de horrores", o Ministro da Cultura que eu próprio me pergunto se realmente existe ou se é apenas uma miragem. Podia também criticar a própria Ministra das Finanças que se tem revelado uma Ministra do Orçamento exemplar mas uma Ministra das Finanças com nota reduzida, mas não o faço, tendo em conta a situação em que o país se encontrava quando o PS deixou o governo ( estava como habitualmente se encontra á saída do PS, um verdadeiro caos e sob a máxima: "quem vier a seguir que feche a porta").
Por tudo isto, pessoalmente, acho que Durão podia ter ido mais além e trazido um "elan positivista" a estes próximos dois anos, mas por outro lado, á que referir também, o nosso 1º Ministro tem mantido uma coerência assinalável neste aspecto. Esta foi a primeira vez que demitiu alguém, das outras vezes tinham sido os acontecimentos a precipitarem as saídas.
Voltemos ao Congresso e mais concretamente ao discurso de abertura que se centrou essencialmente no seguinte:
Para consumo interno, Durão, pretendeu calar o assunto presidenciais com o eloquente " confiem em mim" e tentou motivar o partido para as eleições que se seguem.
Para o exterior, tentou passar a mensagem de positividade para os anos que se seguem, sem nunca ter deixado de referir como encontrou o país, para além de ter tentado também descredibilizar o PS. Fê-lo através da colagem política deste partido ás ideias e ao discurso de extrema esquerda do BE.
E quanto a mim o congresso foi isto e o discurso de Santana Lopes ( brilhante por sinal), nada mais que isto.
Penso que o PSD deveria ter discutido outros assuntos, por exemplo tentar responder á seguinte questão: " Como voltaremos a ser eleitos em 2006 sem retoma económica?". É que eu próprio, defensor da política económica seguida por este governo, mas critico da mensagem excessiva de pessimismo passada por Durão, já tenho as minhas duvidas quanto á capacidade política para fazer essa mensagem desaparecer nestes próximos dois anos.
Miguel Antunes
Director Financeiro
Postal do Algarve 27.05.2004
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